Ana Cañas vive experiência inédita ao se apresentar no Teatro SARAH
“Foi um momento que eu nunca tinha vivido.” Assim que Ana Cañas resumiu a experiência de cantar no Teatro Sarah. Após o espetáculo, a artista falou sobre a sobre o encontro com pacientes, familiares e colaboradores, descrevendo a apresentação como uma das mais marcantes de sua trajetória.
Acompanhada pelos músicos Fabá Jimenez (violão) e Adelino Costa (bateria), Ana apresentou sucessos da turnê Rita Total, homenagem a Rita Lee, além de interpretações de canções de Belchior e músicas autorais. Entre as canções que marcaram a apresentação estavam “Agora Só Falta Você”, “Jardins da Babilônia”, “Velha Roupa Colorida” e “Pra Você Guardei o Amor”.
Ao comentar a apresentação, Ana contou que, antes de subir ao palco, se perguntou como convidaria o público a cantar sem conhecer as histórias que cada pessoa carregava. “Em determinado momento pensei: ‘Nossa, mas que viagem. Eu não posso pedir para as pessoas se alegrarem porque eu não sei o que elas estão passando’. Mas, conforme fui pedindo para cantarem comigo, elas foram cantando. Eu fui me soltando”.
Um dos momentos marcantes da tarde aconteceu quando Ana deixou o palco para cumprimentar os pacientes que acompanhavam o espetáculo das galerias do teatro. “Foi difícil cantar e não chorar ao mesmo tempo, dar a mão para todos os pacientes. Foi uma situação bem diferente da que estou acostumada. São desafios que trazem aprendizados e memórias que a gente leva no coração”.
Ana também destacou a importância da música como instrumento de acolhimento e bem-estar durante o processo de reabilitação. Segundo ela, foi preciso tempo para compreender o impacto que sua arte poderia ter na vida das pessoas: “a energia do coletivo, de reunir todo mundo, cantar junto, aplaudir e trocar com eles favorece um processo de recuperação. A música tem esse poder. Ela fez isso por mim na minha própria vida. A música foi um portal. Ela salvou a minha vida no melhor dos sentidos”.
O espetáculo foi encerrado com a interpretação de “Pais e Filhos”, da Legião Urbana, “Metamorfose Ambulante” e “La Vie en Rose”, essa, canção dedicada à avó, que a apresentava à música durante a infância.
Sobre a experiência vivida, a cantora disse que deixa Brasília levando consigo a confirmação daquilo em que sempre acreditou: a importância de cultivar esperança, mesmo diante das dificuldades. “Eu deixaria essa mensagem para que as pessoas não esmoreçam, não percam a esperança. Coragem, resignação e paciência. Acho que essas três palavras são um pouco do que a vida pede da gente”.
Como já é tradição nas apresentações realizadas no Teatro SARAH, o encerramento foi marcado pela entrega de flores à artista. O paciente Krystian Miguel Furquim do Nascimento, acompanhado por Keithy Kemilly do Nascimento, subiu ao palco para agradecer, em nome do público, pela apresentação.